segunda-feira, 7 de maio de 2018

As Crônicas de Paulo Cezar Lemos: CARAMURU. UMA DESGRAÇA O DEIXOU EM ÁGUAS DA BAHIA. A IGNORÂNCIA O TORNOU REI. MAS, SEU GRANDE CARÁTER FAZ PARTE DA GENÉTICA DO BRASILEIRO.

Por: Prof. Paulo Cezar Lemos
Em 1512, uma nau que chegara ao Brasil, trazendo à sua bordo um empresário que vinha para a capitania de S. Vicente, foi perseguida por forte borrasca, naufragando na barra da Bahia, a Leste, no lugar que os índios "chamavão Moiraguiquig" - será Maragojipe? Naquela nau destroçada estava Diogo Álvares Correia, que presenciou a chegada dos índios e assistiu a forma como eles matavam os poucos sobreviventes. Ocupado em arrumar os barris de pólvora e uma espingarda que trazia, aproveitou o momento em que sobre suas cabeças passava uma grande garça, e derrubou-a com um tiro.
Os índios feridos pelo assombro de um eco jamais ouvido, e pelo resultado com que fora coroado, caíram de joelhos e todos juntos gritaram—CARAMURU'-GUASSU'! Significa este nome na língua tupy: « O Dragão que saiu do mar ». A desgraça colocou Diogo Àlvares em águas baianas, mas a ignorância do gentio o fez rei. De vítima, passou a senhor dos povos incultos. As filhas dos chefes indígenas lhes foram oferecidas como mulheres, pois os gentios queriam tributar a maior das honras. O Cacique Itaparica lhe entregou a filha, Paraguassú, já pretendida a um chefe Tupinambá, Jararaca, e que gerou grande confronto mais tarde.
Viveu Caramuru por um bom tempo nesta vida nova que fora colocado. Anos mais tarde, um navio se aproxima da costa baiana. Avistando o homem com jeito menos indígena, lançam-lhe um batel. Caramuru vê a oportunidade de voltar à Europa. Cai ao mar com fortes braçadas, alcança o batel e o navio. O mesmo faz a filha de Itaparica, que por paixão ao dragão do mar, deixa para trás a liberdade e a família.
Na França, Henrique de Valois e Catharina de Medicis, os acolheram com estranha honra, festa e pomposa gala, e fizeram com que a índia se batizasse e se casasse, tomando o nome de Catharina Alvares Correia Paraguassú. Nesta época, o francês Mr. Duplessis propôs a Caramuru, voltar ao Brasil e organizar um reino onde ele seria o árbitro supremo, mas sob domínio da França. O cidadão Diogo Álvares Correia, demonstrando auspicioso caráter não aceitou e comunicou a Dom João III, rei de Portugal, a sua lealdade, voltando à terra Brazilis, mas garantiu à França um livre comércio. Diogo Alvares Correia merece toda a gloria de ter sido o primeiro europeu a viver no Brasil e teve seus filhos como os troncos da arvore genealógica do brasileiro. Os primeiros brasileiros tiveram um grande caráter.

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