terça-feira, 28 de junho de 2016

As Crônicas de Paulo Cesar: Cruz das Almas na contra mão da evolução.

Academias de ginástica cheias, assim como ruas com muitos moradores caminhando ao raiar do dia, ou ao final da tarde são um demonstrativo de que as pessoas estão cada vez mais se preocupando com uma vida saudável. A busca por alimentos orgânicos, orientações com nutricionistas, ciclismo, redução do uso do tabaco e exames médicos mais frequentes e preventivos constatam realmente que as pessoas estão buscando a cada dia melhorar a qualidade de vida. Acrescente-se a isto a exclusão de determinados produtos da dieta, a exemplo das gorduras saturadas, excesso de açucares e sódio, além dos produtos supostamente cancerígenos, entre outros. Mas, que tal sermos obrigados por uma pequena parte da população a entrar em contato direto, no aconchego de nossas residências, com produtos mais perigosos do que tudo isto daí? Pois é! Nos festejos juninos se queimam os fogos de artifício, que geram poluentes altamente tóxicos na fumaça e que não pede licença para entrar nas residências. O enxofre utilizado na pólvora, ao ser queimado gera gases tóxicos que causam aquela irritação que todos nós sentimos nos olhos durante a queima das espadas, além de irritações na pele e no aparelho respiratório, provocando também as crises de asma. Devemos considerar que o dióxido de enxofre, que também é gerado pela queima do óleo diesel é um dos piores poluentes ambientais, contribuindo para a destruição da camada de ozônio. O nitrato de bário é a única substância barata disponível no mercado para conferir o tom esverdeado aos fogos. O bário é um elemento comprovadamente cancerígeno, radioativo e venenoso, sendo utilizado para fabricação do veneno para matar ratos. O ácido pícrico utilizado para o “assovio” das espadas é um irritante para a pele, olhos e trato respiratório. A inalação pode causar danos aos pulmões. A exposição crônica pode causar danos hepáticos ou renais. Os outros componentes da pólvora que são o clorato e nitrato geram poluentes muito tóxicos aos seres humanos, sendo diversos deles com potencial cancerígeno. O tão utilizado foguete é confeccionado com a utilização de estrôncio, um metal por demais nocivo a todos os animais e meio ambiente. Além dos efeitos químicos, os fogos são responsáveis por uma forte poluição sonora, podendo chegar a 120 decibéis que é o limite para iniciar a dor. Iniciei o texto falando de pessoas sadias que estão buscando melhorar a qualidade de vida, mas devemos ter um pouco de humanidade para sermos realmente seres humanos, daí temos que pensar nas pessoas convalescentes, enfermas, hospitais, asilos e zoológicos. O período junino é o inferno para os cães. Se fosse feita uma consulta ao santo homenageado, São João, com certeza ele deveria se mostrar perplexo, pois os cães também são seres criados pela mesma “divindade” que criou o homem. Em termos de meio ambiente que tanto se busca conservar em todo o mundo, vale lembrar que a queima destes fogos produz fumaça e poeira que contém vários metais pesados, compostos de enxofre, carvão e outros produtos químicos nocivos, além de milhares de partículas contendo dióxido de carbono (CO2), vilão do efeito estufa. Enquanto se busca melhorar a qualidade ambiental para uma vida mais saudável, em Cruz das Almas violam-se leis federais, pois a fabricação e venda de fogos de artifício e pirotécnicos são disciplinados pelo Exército Brasileiro, por meio do Regulamento para Fiscalização de Produtos Controlados (R-105), aprovado pelo Decreto 3.665, de 20 de novembro de 2000. Parece que é preciso multiplicar o juiz Sergio Moro, colocando-o em vários pontos do Brasil.

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