quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

As Crônicas de Paulo Cezar Lemos: Nós, primatas evoluídos, ainda temos que melhorar muito para sermos considerados seres humanos.

Os cinco grandes primatas; orangotango, gorila, chimpanzé, bonobo e humano, são assim denominados por não possuírem rabo e estarem um pouco à frente de seus “primos” macacos, na escala da evolução. Popularmente chamamos todos os primatas de macacos, mas, na verdade, os macacos são aqueles que têm rabo. Dentre os primatas, os chimpanzés são os que mais se parecem com os humanos, pois compartilhamos 99,4% do DNA deles, segundo as pesquisas lideradas pelo biólogo Morris Goodman, na Universidade Estadual de Wayne, em Detroit (EUA). Por conta de uma diferença tão pequena, Morris acredita que o chimpanzé deva ser incluído no gênero humano: Homo sapiens (seres humanos), Homo troglodytes (chimpanzé). A intenção de Morris é provocar um novo olhar sobre nossos parentes mais próximos. É fazer com que as pessoas os reconheçam como seres racionais e emocionais, apenas vivendo um momento evolutivo diferente do nosso. No mundo todo, não só chimpanzés, mas gorilas, orangotangos e bonobos, provam sua inteligência e sensibilidade fazendo com que alguns casos cheguem aos tribunais. Um dos mais famosos casos foi o do casal de chimpanzés da Áustria, Hiasl e Rosi, impedidos de receber donativos por não serem “pessoas físicas”, apesar de assistirem documentários na TV e levarem uma vida praticamente humana. Reconhecer tais comportamentos nos outros animais se restringe aos países mais desenvolvidos, com elevado nível intelectual, onde o conhecimento é inerente à maioria da população. Em países com menor nível intelectual, a exemplo do Brasil, a ignorância prevalece e dá lugar ao mito e superstições, que é o alimento das religiões e de líderes políticos brutalizados. s seres humanos são diferenciados dos outros animais pela voz articulada que permite desenvolver uma linguagem falada extremamente complexa, mãos que permitem manejar instrumentos de diversas aplicações e a capacidade de desenvolver raciocínios, o que nos torna animais racionais. Embora se reconheça a capacidade do homem em formar juízos, na prática isto ocorre com muita raridade. Parte considerável da população por todo o mundo sempre agiu através da emoção, pelo “coração”. Pessoas que parecem utilizar a razão, no fundo, estão seguindo outras, mais ardilosas no manejo de frases e que pensou no lugar delas. Isto é o retrato do Brasil, onde lideranças políticas, religiosas, futebolísticas e até aquelas ligadas à música de nível rasteiro da atualidade usam a bestialidade humana para comandar multidões. As lideranças, principalmente aquelas ligadas à política e religião sabem muito bem a quem dominar. Apelam para os sentimentos e emoções das massas que pouco pensa. Daí fazem uso de frases, cânticos e imagens de efeito, para escravizar o subconsciente e o inconsciente, que é quem dirige e impera, tanto no homem como no animal. A consciência, a razão, o raciocínio são meros espelhos. Salvam-se, destoando da massa de pessoas comuns, aqueles que menos se deixam levar pelas paixões, emoções e sentimentalismos. A história mostra que líderes com ideias perversas e idiotas conseguiram conduzir as massas como cordeiros obedientes, chegando ao fanatismo, dominados sem questionar e de forma irracional por aqueles que têm mais habilidade em expelir excreções pela cavidade bucal. Isto é um fato no momento brasileiro com lideranças políticas em estado de putrefação comandando milhões de pessoas. Entre os animais denominados irracionais, um líder não é líder por acaso. Tem que provar para todos a sua liderança e não apenas para um grupo. Neste, como em outros quesitos os animais estão melhores que a sociedade humana, que vive basicamente uma civilização dominada pela posse de bens materiais. Como afirmava Fernando Pessoa; julgar que ter automóvel é ser feliz é o sinal distintivo do plebeu. O comportamento selvagem e irracional dos considerados seres humanos são aflorados nos estádios de futebol, nas festas de largo e por atitudes intolerantes das religiões. Um dos requisitos para nos tornarmos humanos é seguir o que diz Leon Tolstoi no seu clássico Guerra e Paz: Extirpemos todos os tipos de paixões e vamos buscar desenfreadamente a sensualidade da virtude.

*É proibida a reprodução total ou parcial deste texto, por qualquer meio, sem prévia autorização
do autor  Prof. Paulo Cezar ou do site www.cruzdasalmasnews.com.br.

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