terça-feira, 22 de dezembro de 2015

As Crônicas de Paulo Cezar Lemos, : CHAPADA DIAMANTINA: OU ESTÁ NO PAÍS ERRADO OU FOI DESCOBERTA POR PESSOAS ERRADAS.

Dizem que Deus é brasileiro, principalmente quando se deseja exaltar as belezas naturais, riquezas minerais, hidrográficas, meteorológicas e congêneres. Deixando de lado as questões sobre a existência ou não de Deus e sobre a possibilidade de ele ter lidado com tantos dados que gerem o universo, o que pretendo focar é o destino malogrado de formações geológicas, minerais e aqueles relacionados à vida animal e vegetal que ficaram nas mentes de pessoas despreparadas que desde há muito tempo administram a natureza brasileira. Uma das maiores vítimas é o Parque Nacional da Chapada Diamantina (PNCD). Criado em 1985 através de Decreto Federal n° 91.655, com uma área de 152 000 ha na região da Chapada Diamantina, o PNCD é distribuído pelos municípios de Andaraí, Ibicoara, Iramaia, Itaetê, Lençóis, Mucugê e Palmeiras. É administrado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação Ambiental (ICMBio), uma autarquia ligada ao Ministério do Meio Ambiente, que trabalha exclusivamente em prol das áreas de preservação. No parque se encontram as nascentes de três grandes bacias hidrográficas da Bahia; rio Jacuípe, rio de Contas e a maior delas, a bacia do Paraguaçu. Este rio, com 614 quilômetros de extensão, abastece 2,3 milhões de baianos em 86 municípios. É responsável também por 60% do abastecimento de água em Salvador e região metropolitana. Esta "caixa d'água" da capital, está ameaçada: uma série de degradações deixou o rio em "situação de alerta". Todos os anos os noticiários mostram incêndios na Chapada Diamantina. Levam meses para debelar o fogo. Noticiam a participação de bombeiros, voluntários, prefeituras, governadores, aeronaves e, ao final sinalizam que o incêndio foi contido e, de forma espetacularmente imbecilizada ainda apontam heróis. Será que as pessoas conhecem pelo menos 1% da flora e da fauna daquela região? Uma vegetação formada por cerrado, caatinga e, predominantemente, campo rupestre, altamente sensível, delicada e frágil. A cada ano, após cada incêndio, quantas espécies animais e vegetais deixaram de existir naquela região? A infantilidade, ingenuidade e irresponsabilidade com que os gestores e pessoas envolvidas na administração do PNCD lidam com a riqueza que a natureza deixou naquela região é uma prova do descompromisso, do desconhecimento e da falta de sensibilidade com as questões ambientais. Nossos políticos apresentam um forte despreparo técnico e intelectual e se juntam com assessores que primam pela admiração como se fossem crianças atrás de um brinquedo desejado. Com toda esta infantilidade, ano e após ano a Chapada Diamantina sofre incêndios e perde de forma definitiva diversas espécies que não mais existirão na terra. Os governos nas esferas; federal, estadual e municipal, devem parar de brincadeirinha e buscar uma atuação enérgica, séria, de gente grande e de primeiro mundo com a prevenção inteligente, investigada e a montagem de estrutura profissional e séria para debelar qualquer tentativa de incêndio, ainda nas primeiras horas. Não dá mais para brincar de aparecer na mídia como os apagadores de incêndios e os órgãos que ajudaram. Por mais de vinte anos coleto e conservo material do PNCD, especialmente o gênero Manihot. Em Mucugê, no Parque Sempre Viva e No Campo Redondo em Ibicoara, encontrei Manihot reniformis (Foto) espécie endêmica (só existe ali em todo o planeta), assim como Manihot longiracemosa em Igatu e Lençois (afloramento Veneno) e Manihot belidifolia em Piatã. Aí estão apenas três espécies restritas à Chapada Diamantina, sem contar com inúmeras outras, inclusive as lindíssimas sempre vivas e diversas espécies animais. Os políticos, por desconhecimento total no assunto, não terão a mínima sensibilidade em conservar tais materiais. Para os mesmos interessa número de votos e conferir jogo de camisa e taça de futebol a timinhos de bairros. O que pode salvar a natureza brasileira é a incorporação no sangue dos seus administradores de que o planeta é eterno e a vida das pessoas são apenas segundos nesta eternidade. (Foto:Arquivo pessoal)

*É proibida a reprodução total ou parcial deste texto, por qualquer meio, sem prévia autorização
do autor  Prof. Paulo Cezar ou do site www.cruzdasalmasnews.com.br.

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