quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

As Crônicas de Paulo Cezar Lemos: A TRAGÉDIA ANUNCIADA EM MINAS GERAIS, SEM PRECEDENTES E COM DANOS IRREPARÁVEIS E INCALCULÁVEIS.

Área afetada pelo rompimento de barragem no distrito de Bento Rodrigues, zona rural de Mariana, em Minas Gerais (Antonio Cruz/Agência Brasil)
A Samarco Mineração S.A. é uma mineradora brasileira fundada em 1977 e atualmente controlada pela Vale do Rio Doce e a australiana BHP Billiton, cada uma com 50% das ações da empresa. No dia 5 de novembro último romperam-se as barragens da Samarco, em Minas; um rio de lama tóxica destruiu várias cidades e matou mais de duas dezenas de pessoas, não se tendo informações de quantas devem estar desaparecidas na lama. O governo federal é o principal acionista da Vale, detendo 49,8%, considerando também que o rio Doce é federal, sendo a jurisdição do governo federal. Logicamente, então, a maior responsável financeira e de reconstrução passa a ser Dilma Rousseff. A presidente Dilma foi visitar a região uma semana depois, no dia 12, e não assentou os pés em terra: bastou-lhe o sobrevoo de helicóptero. E garantiu que o Ibama vai multar a Samarco em R$ 250 milhões, de imediato, fora outras multas possíveis. Todo este papo é para enganar o povo mais uma vez, como é costume em governos com ideais totalitaristas. Das multas impostas pelo Ibama, 99% não foram pagas, isto é um fato. Das multas impostas pelo governo federal como um todo — Ibama, Banco Central, agências reguladoras, TCU — só 3,7% foram pagas. Os devedores não apenas não pagam como não são sequer inscritos no Cadin, o Cadastro dos Inadimplentes, cujo objetivo é registrar quem não paga para proteger o governo de assinar contratos com eles. Por enquanto, há R$ 25 bilhões em multas não pagas. O governo finge de bravo, multa, ninguém paga e fica por isso. Portanto, o que o povo deseja ouvir e a mídia diz o que eles querem ouvir é um ressarcimento moral como se fosse uma espécie de vingança. O governo sabendo disto coloca sua autoridade máxima para anunciar as penalidades e o povão, essencialmente analfabeto funcional, se sente bem. Aquelas barragens de rejeitos deveriam ter barragens de segurança. Quem licenciou estes projetos sem os requisitos cumpridos? Qual a legalidade da licença para operação sem a garantia de segurança para a sociedade e o meio ambiente? Nada mais, nada menos que órgãos federais. Multas não deverão ser pagas como sempre acontece. Quem vai ressuscitar os mortos e confortar moral e financeiramente os parentes? A economia daquela região estará comprometida pelas próximas décadas. Pesca, nem se pode prever o retorno dos peixes, nem a qualidade dos mesmos. As propriedades agrícolas às margens do rio se tornaram imprestáveis para produzir e para negociar. Pessoas acordaram com seus patrimônios reduzidos praticamente a zero. Deixando os seres humanos de lado e falando da natureza, envolvendo a destruição praticamente irrecuperável das matas ciliares, nascentes e os berçários marinhos, cujos organismos filtradores são a base de centenas de cadeias alimentares marinhas, remetem para resultados catastróficos que nenhum cientista hoje no planeta pode se arriscar a falar em números, exceto os intelectuais imbecis e idiotas que acompanham este governo de cunho totalitário que sempre busca a arma da mentira. Até agora ninguém da Samarco se arriscou a falar na qualidade e quantidade dos minerais tóxicos contidos nos rejeitos que irão sedimentar no leito do rio e abastecer a base de diversas cadeias alimentares, sendo eternizados na região. Elementos como mercúrio, arsênico e diversos outros são comuns nestes rejeitos. Tudo indica que a população irá se contaminar com metais durante o consumo de água e alimentos, agora e nas próximas décadas. Esconder estas informações é uma estratégia para livrar os governos de indenizações milionárias no futuro, não só para os moradores de hoje, como para os seus descendentes. Para a natureza brasileira, esta tragédia que assassinou a quinta maior bacia hidrográfica do Brasil, só perdeu para aquela outra que aconteceu em 22 de abril de 1500, quando as caravelas de Cabral chegaram em Porto Seguro, trazendo nas velas os símbolos daquelas tenebrosas cruzes que fizeram tubarões e outros predadores marinhos sentirem calafrios durante a viagem Portugal para a terra dos Tupis, Tapuias e companhia.

*É proibida a reprodução total ou parcial deste texto, por qualquer meio, sem prévia autorização
do autor  Prof. Paulo Cezar ou do site www.cruzdasalmasnews.com.br.

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