segunda-feira, 29 de maio de 2017

As Crônicas de Getúlio Augusto Pinto da Cunha: A SEGURANÇA NO BRASIL – UMA VERDADEIRA FALÁCIA!

 Por: Getúlio Augusto Pinto da Cunha, Eng. Agrônomo

Um dos assuntos mais comentados e discutidos na atualidade brasileira é a segurança, num sentido bem amplo. Mas, vamos focar na segurança pública, sobre a qual atos alarmantes são divulgados diariamente pela imprensa.
Vejamos o caso dos assaltos a agências bancárias. Viraram moda quadrilhas explodirem caixas eletrônicos, em alguns casos as próprias agências, utilizando um mesmo método, que nos furtaremos de descrever, por ser sobejamente conhecido pelo povo brasileiro. Qual a atitude das autoridades competentes? E os Bancos, o que têm feito para evitar esses abusos, prejuízos, que acreditamos recaiam, mais uma vez, nos bolsos do povo, tal a apatia das medidas adotadas. Parece, apenas, que a reconstrução das agências, preparando-as para novos assaltos! Bem, não podemos negar que, de vez em quando, uma quadrilha é presa. Mas, diante das estatísticas, isso é quase nada. Talvez caiba perguntar-se, não seria o caso de que os caixas eletrônicos fossem esvaziados pelos próprios bancos no período noturno, a partir das 18 horas? Nesse caso, as pessoas deveriam se programar para não precisar fazer saques nesse período. Mesmo porque, em tal período, é também frequente o assalto aos próprios clientes que usam os caixas, com risco de morte.
O que se dizer também dos assaltos a estabelecimentos comerciais, em alguns deles tão repetitivos, que parece que os bandidos são parceiros dos mesmos, usando-os como caixas eletrônicos particulares! Quanto aos roubos de veículos as estatísticas são alarmantes! Esses roubos aumentam a cada ano que passa.
E o povo, assaltado nas ruas, nos shoppings, em casa, nas escolas, nos carros, enfim, em quaisquer lugares onde estejam! Em geral, um ou uns poucos indivíduos cometem os assaltos e, às vezes, matam cidadãos honestos e trabalhadores por motivos, em ruas e avenidas movimentadas, em meio a uma multidão de transeuntes! Isso não acontece naqueles lugares onde o povo pratica o linchamento como forma de punir bandidos. Em outros locais tais bandidos têm a mão decepada, para que não se tornem reincidentes. Vale lembrar, também, que no faroeste americano, ladrão de cavalo não tinha vez. Quando apanhado em flagrante era preso e enforcado sumariamente, pelo próprio povo. Cada povo tem seu costume próprio de reagir quando agredido. Uns de modo pacífico, outros de forma beligerante. O povo americano gosta de dar exemplos. Vejamos o caso do atentado terrorista do fatídico 11 de setembro de 2001: o ataque ao World Trade Center. Os passageiros de um dos aviões reagiram e enfrentaram os terroristas causando a queda antecipada do avião, impedindo que o mesmo atingisse o alvo determinado. Quem sabe, devem ter pensado: “se vamos morrer, vamos morrer lutando”! Com esse gesto heroico salvaram muitas outras vidas.   
A falta de segurança reflete-se também em outro fato que se vulgarizou no nosso país: os protestos realizados em ruas e estradas. Protestos esses que tiram o direito inalienável do povo de “ir e vir”, assegurado pela nossa Constituição. E, diga-se de passagem, o povo não tem coisa alguma a ver com tais situações, a não ser quando é eleitor de corruptos e ter ajudado a elege-los! Até morte já ocorreu por causa desses eventos, quando também em muitos deles os bandidos aproveitam para praticar arrastão. Outra questão relevante é que alguns desses eventos são realizados por motivos banais e injustificáveis. Diz-se que isso é democracia. Mas, quando termina em vandalismo e “quebra-quebra” torna-se ‘anarquia’. E esse está
sendo um mau costume em nosso país. Ignorância total essa de depredar o patrimônio público, ou seja, do
próprio povo! Tais protestos deveriam ser realizados, sem vandalismo de espécie alguma, em frente às sedes dos governos (palácios, câmaras de deputados e de vereadores e senado), onde estão os reais e principais responsáveis pelos atos que provocam tais situações, ou seja, os políticos no uso de seus mandatos. Essa sim seria uma atitude coerente, pois iria prejudicar apenas quem está de fato prejudicando o povo.
Assim, fica a dúvida: será que estamos vivenciando uma ‘democracia anárquica’ ou será uma ‘anarquia democrática’? Qualquer uma das duas tem o mesmo significado negativo! Será então que estamos sem opção? Plagiando alguém e em alguma época passada: “Oh! Dúvida atroz”!    
 Onde está a origem desses fatos vergonhosos? Será que no caos alarmante que assola o meio político/administrativo brasileiro em geral? O fato escabroso de tanta corrupção, roubos, desvios de verbas, tráfico de influência e de muitas outras coisas? Onde políticos de várias esferas e de quase todos os partidos e estados estão sendo processados e presos? Onde as sessões no nosso Legislativo, em todas as esferas, muitas vezes tornam-se palco de “arenas de MMA” e “picadeiros de circo”? Onde, nessas sessões, observa-se tanto cinismo, tanto corporativismo ‘deslavado’?
 Será que numa democracia precisa-se de tantos partidos, mais de 30, e com dezenas de outros esperando para terem seus registros aprovados? Será isso uma “caçada ao tesouro”? Seria o caso de “Ali Babá e os 40 ladrões”? A diferença estaria no número de ladrões, porque aqui nós temos muitos mais! A verba destinada aos partidos e parlamentares é uma tentação, um forte atrativo. Além dos altos salários, recebem por tudo que fazem ou deixam de fazer, dentro e fora dos gabinetes e do plenário! Senão, vejamos: verbas de representação, ajudas diversas de custo, aposentadorias precoce e especial, numerosos assessores (muitos deles “laranjas”)! Tudo isso porque legislam em causa própria e o corporativismo no meio deles é imoral!
Esse é o exemplo, péssimo exemplo, que uma das elites da nossa sociedade transmite para o povo que paga suas mordomias. E do que se aproveitam os bandidos comuns de fora do cenário político para fazer o mesmo. Se, quem administra o país com aval da população que os elegeu age dessa forma, roubando do povo o direito de ter acesso digno à saúde, a uma educação de qualidade, a uma segurança efetiva na sua vida corriqueira de trabalho e lazer, por que eles (bandidos comuns) não podem agir do mesmo modo? Dessa forma as coisas ficam facilitadas, sobretudo quando, infelizmente, esse cenário de corrupção e mau ‘caratismo’ atingiu também uma pequena parcela das instituições que devem coibir tais atos: as forças policiais!
Felizmente, a Polícia Federal não se encaixa nesse perfil e seu trabalho tem sido exemplar. O mesmo pode-se dizer do Ministério Público e dos Tribunais de Justiça. Cada vez mais essas instituições precisam do apoio popular.
E, qual será o efeito da atitude desses políticos corruptos no seio de suas famílias? Será de aceitação e orgulho ou vergonha e repúdio? Que exemplo eles têm! Infelizmente, tem-se visto na imprensa que algumas famílias ou fazem ‘vista grossa’ ou apoiam e gozam também das ‘benesses’! Observa-se ainda, com frequência, que os descendentes de vários políticos, considerados ‘velhas raposas’, seguem os passos tortuosos dos seus antecessores, perpetuando a trilha do mal. Que exemplos de políticos, que exemplos de pais, que exemplos de filhos!
A situação de insegurança do país está tão escabrosa e sem controle, que ficamos a imaginar se não é chegado o momento das Forças Armadas saírem dos quartéis para combater o que quase chega a ser uma guerra civil, urbana. Esse é um assunto que talvez precise ser estudado. Nos dias de hoje estamos presenciando, na maioria dos municípios brasileiros, pequenos ou grandes, gangues de narcotraficantes dominando diversos bairros. Nesses bairros, a polícia não pode entrar e os moradores têm de obedecer até a ‘toque de recolher’! E outras ordens mais. O número de mortes violentas diárias no Brasil é, também, alarmante, chega a ser maior do que o de outros países que estão em guerra.
 Essa situação deixa o povo brasileiro desnorteado. O que fazer, o que será daqui para frente, existe uma solução? A situação chegou a tal ponto que já estamos exportando bandidos e tecnologia de assaltos – caso acontecido no Paraguai! As pessoas ficam preocupadas até de sair de casa, pelo que pode acontecer no trajeto para o trabalho. Imaginem as saídas para o lazer, atualmente já bastante restringidas!
Não vamos dizer que o país está num ‘beco sem saída’. Podemos estar num beco, mas esse beco tem saída. Infelizmente, essa saída também está nas mãos dos políticos. Entretanto, desde há muito tempo as mãos deles estão cheias não de projetos para beneficiar a população, mas sim de produtos da malfazeja corrupção. Certamente, teremos de esperar essa situação ser completamente esclarecida e finalizada. Por isso, mais uma vez, pede-se ao povo brasileiro para ter paciência, haja paciência! Porém, até quando?

Quem é Getúlio Augusto Pinto da Cunha

Sou natural de Barra da Estiva, BA, onde nasci em 18/02/1944. Mas, resido em C. Almas desde os nove meses de idade.
Assim, posso considerar-me cidadão cruzalmense, pois aqui fiz todos meus estudos e me formei Eng. Agrônomo (na EAUFBA, hoje UFRB), casei, trabalhei e aposentei pela Embrapa/CNPMF.
Apenas fiquei fora para efetuar estudos de pós-graduação (especialização em São Paulo, mestrado nos Estados Unidos e Doutorado no Ceará).
Quando criança fui colaborador do jornal local "Nossa Terra Infantil" (década de 1950!). Durante minha vida profissional publiquei dezenas de artigos técnicos em jornais e revistas científicas, algumas das quais fui também editor e revisor convidado. Coordenei a publicação de alguns livros, dos quais sou autor de vários capítulos.


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