quinta-feira, 30 de março de 2017

Saúde: Obesidade infantil pode ser prevenida por meio de hábitos alimentares saudáveis

 Por: Carla Santana Cunha - Foto: Divulgação

Marília Almeida Nutricionista Materno Infantil
Muitas famílias negligenciam a importância da alimentação equilibrada e saudável para a manutenção da saúde desde a infância. Perceber isso é fácil: basta observar a quantidade de crianças consumindo frituras, doces e alimentos ricos em sódio nas praças de alimentação dos shoppings. “É lamentável ver cenas de bebês, menores de dois anos de idade, que deveriam estar aprendendo o sabor das diferentes frutas, comendo batata-frita e hambúrguer. As consequências da obesidade infantil são muito ruins. Muitos pais, avós e outros familiares sabem disso, mas na hora de adotar a atitude correta, deixam a desejar”, lamenta a nutricionista materno-infantil da Clínica ADS, Marília Almeida. Segundo dados do Ministério da Saúde, apenas 60% dos bebês entre 6 meses e dois anos consomem verduras e legumes. Com essa pouca idade, 43% deles já consomem sucos industrializados e 48% tomam refrigerante. Para completar o quadro preocupante, 20% se alimentam diante da TV. Entre as crianças com menos de um ano, 72% comem regularmente biscoitos recheados. E, apesar de não ser recomendada a alimentação sólida até o sexto mês de vida, 12% dos bebês brasileiros consomem macarrão instantâneo. “Quanto mais cedo a criança fica obesa, mais impactos ela terá em sua saúde na vida adulta”, alerta Marília Almeida, que é Especialista em Saúde da Criança e do Adolescente. Ela defende que a oferta exclusiva de leite materno ao bebê durante os seis primeiros meses de vida é fundamental não apenas para garantir os nutrientes que ele precisa para crescer saudável como para prevenir a obesidade. A partir dos seis meses, as papinhas de frutas e verduras devem ser introduzidas na alimentação do pequeno que, com o tempo, poderá descobrir o sabor de outros alimentos saudáveis preparados e oferecidos pelos adultos. “É fundamental conscientizar os filhos sobre bons hábitos alimentares. Mais do que dizer o que é bom, as crianças devem ter o exemplo em casa. O que elas vêem conta mais do que apenas o que ouvem. Ou seja, os adultos também precisam melhorar seus hábitos”, alerta a nutricionista. No acompanhamento nutricional que faz às crianças e suas famílias, Marília Almeida incentiva a autonomia nas refeições. “Elas devem ser encorajadas a se alimentarem sozinhas, o que melhora a autoconfiança e a integração com a comida. O segundo ponto é a postura, ou seja, a posição durante a refeição. Elas devem estar devidamente sentadas à mesa – e não na cama, no sofá ou correndo pela casa A boa postura diminui os engasgos e a aspiração de alimentos, além de melhorar a mastigação e a deglutição”. Outro fator relevante é a distração causada por telas, seja de TV, computador, tablet ou smartphone. Não é nada positivo distrair criança para fazê-la comer maior quantidade ou mais rapidamente. Esse hábito diminui a interação com a família, além de estar associado ao sobrepeso e à obesidade. E nem é preciso dizer que os mecanismos de recompensa, pressão, ameaça e castigo nunca devem ser usados para fazer a criança se alimentar. “As escolhas alimentares certas na infância podem prevenir inúmeras doenças no futuro e determinar a longevidade e a qualidade de vida da pessoa pelo resto da vida”, conclui a nutricionista da Clínica ADS.

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