quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Vida Alves, atriz do 1º beijo e do 1º beijo gay da TV brasileira, morre aos 88 anos

A atriz Vida Alves em foto de julho de 2010 no Museu da TV, do qual ela foi diretora, em São Paulo (Foto: Tiago Queiroz/Estadão Conteúdo/Arquivo)
Morreu na noite desta terça-feira (03/01), aos 88 anos, a atriz e escritora Vida Alves, que deu o primeiro beijo da TV brasileira, na década de 1950, e o primeiro beijo gay, nos anos 1960. Ela estava internada no hospital Sancta Maggiore, em São Paulo, desde 28 de dezembro. A causa da morte, que ocorreu por volta das 22h, foi falência múltipla dos órgãos.
A saúde da atriz se complicou há um ano, quando se submeteu a uma cirurgia, mas o problema persistiu. O velório começou no início da manhã desta quarta-feira (4) no cemitério do Araçá , na região central de São Paulo.
Vida Amélia Guedes Alves iniciou a carreira, que durou mais de 70 anos, no rádio. Depois, atuou em telenovelas, contracenando com grandes nomes, como Tarcísio Meira, Glória Menezes, Eva Wilma e Aracy Balabanian. Trabalhou ainda no cinema, apresentou programas na TV e escreveu novelas.
Em 1995, ela criou junto com outros artistas a Associação dos Pioneiros Profissionais e Incentivadores da Televisão Brasileira, conhecida como Pró-TV, que busca preservar a memória da TV brasileira e da qual era presidente.
Atriz nasceu em Itanhandu (MG), em 15 de abril de 1928, e é avó da cantora Tiê. Sua trajetória é contada na biografia "Vida Alves – Sem medo de viver" (Imprensa Oficial), de Nelson Natalino, lançada em 2013.
Uma das filhas de Vida, Taís, falou sobre o legado da mãe. "Vida foi uma inovadora, uma beijoqueira. E eu ainda brincava: 'Vidinha, ainda bem que você não deu o segundo beijo [da história da TV], porque do segundo beijo ninguém fala. Ela foi a primeira beijoqueira".
Tiê comentou a morte de sua avó em sua página oficial no Facebook. "Dona Vida Alves fez a passagem. Minha amiga, minha avó, minha parceira, minha musa beijoqueira. 88 anos de muita luz, amor, arte e vida. Vire estrela e descanse em paz. Te amo pra sempre e vou sentir saudades todos os dias", escreveu a cantora.
A Pró-TV divulgou nota sobre a morte de Vida Alves, a quem chamou de "símbolo da televisão". "Incansavelmente, ao lado dos colegas de profissão, lutou pela criação de oficial do Museu da Televisão Brasileira, que por 13 anos abrigou dentro de sua casa, e pela preservação da memória da radiodifusão", diz a nota.
"Nesse momento difícil, nos solidarizamos com a família de Vida Alves, com seus amigos e colegas da área, que ela sempre fez questão de representar". 
O primeiro beijo da TV brasileira foi na novela "Sua vida me pertence", de 1951, na emissora Tupi. O par romântico dela era Walter Forster, também diretor da trama.
O pudor era tão grande, lembrava Vida, que o fotógrafo da Tupi não registrou o momento do beijo – ela dizia que o profissional considerou que, de qualquer forma, a imagem não seria publicada na imprensa da época.
Vida Alves foi pioneira novamente no teleteatro "A calúnia", em que protagonizou um beijo gay, com a atriz Geórgia Gomide em 1963.
"São coisas que existem, e se bem focadas e realizadas, contribuem para uma sociedade mais aberta e mais consciente", afirmou. Em entrevista à TV Globo, completou: "Sinto orgulho de ser elemento formador da TV".(G1)

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