sexta-feira, 13 de maio de 2016

Dedo ou chupeta: dos males, qual o menor?

“Mãe, eu quero a chupeta”, o pedido choroso de Isadora é uma das frases mais ouvidas ao longo do dia. A filha da jornalista, Juliana Silveira, tem dois anos e meio e só larga o bico quando chega na escola. “Ela sabe que não pode usar o pipo durante a aula e o entrega antes mesmo de descer do carro, mas em casa tem sido difícil tirar esse vício”, conta a jornalista que também tem uma filha mais nova. Catarina, de apenas 9 meses, prefere o dedo polegar como consolo.
“A Isadora passou a usar pipo depois que parou de mamar. Já Catarina, desde os dois meses, adora chupar dedo. No começo a gente acha bonitinho, mas eu sei que nos dois casos esse mal hábito traz consequências para a dentição e fala da criança. É o que me preocupa”, confessa Juliana. 
E realmente, ela tem por que se preocupar. “Tanto a chupeta quanto o dedo causam sérios problemas na articulações orofaciais, que estão em formação. Se esse hábito for prolongado, certamente vai comprometer a mastigação, a deglutição, a fala e, até mesmo, a respiração da criança”, alerta Catarina Farah, odontopediatra do Hapvida Saúde. 
E dos males, qual o menor? Segundo a especialista, a chupeta. “O dedo faz uma pressão ainda maior no céu da boca, o que provoca o afundamento acentuado do palato e a projeção dos dentes. Essa deformidade diminui também a cavidade nasal, o que aumenta as chances de alergias respiratórias”, acrescenta. 
O tratamento ortodôntico costuma ser longo e estressante para as crianças, então, quanto mais cedo os pais estimularem os filhos a largar a chupeta ou dedo, melhor. Mas como fazer isso?
O costume de chupar dedo ou pipo é uma forma da criança se confortar ou se sentir segura. Forçá-la a abrir mão desse objeto de desejo pode gerar traumas. “ Se ela ainda está fixada na fase oral, isso pode demonstrar que existe uma fragilidade emocional. O pais devem conversar com os filhos carinhosamente, explicar de forma simples porque o pipo ou chupar dedo faz mal. Ao mesmo tempo, demonstrando outras fontes de prazer divertidas como forma de compensação”, aconselha a psicóloga do Hapvida Saúde, Carla Cristini Oliveira. 
Essa negociação exige ainda mais paciência se for o dedo o centro das atenções. “Ele está disponível o tempo todo, o que exige ainda mais sensibilidade por parte dos pais. Usar estratégias de distração, como um filme ou um brinquedo, podem ajudar. Elogiar o progresso da criança também é fundamental. Parabenize seu filho quando perceber que ele tem deixado de recorrer ao dedo como de costume ou se esqueceu por um bom tempo a tão desejada chupeta. O elogio é uma forma de incentivo”, indica a psicóloga. Ah, outro conselho. O choro é inevitável nesse processo de desapego. Então, seja forte para não ceder a chantagens. “Caso contrário, os pais é que vão ter que segurar o choro”, conclui Carta Cristini. (Correio)

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