quarta-feira, 27 de abril de 2016

As Crônicas de Paulo Cezar Lemos: UM PADRE BRASILEIRO INVENTOU O RÁDIO E UM ITALIANO LEVOU A FAMA.

Roberto Landell de Moura nasceu no dia 21 de janeiro de 1861, na cidade de Porto Alegre, Rio Grande do Sul. Frequentou o Colégio Pio Americano e também a Universidade Gregoriana, em Roma, como aluno de Física e Química, matérias para as quais mostrava inclinação desde criança. Ordenado sacerdote em 28 de novembro de 1886, voltou ao Brasil, onde passou a residir na casa dos padres no Morro do Castelo, Rio de Janeiro, época em que teve oportunidade de trocar algumas ideias com D. Pedro II, Imperador do Brasil, sobre transmissão do som, assunto que fascinava o estadista desde 1856, e que o levou a financiar parte dos trabalhos de Alexander Graham Bell (inventor do telefone) nos Estados Unidos (interessante a visão de D. Pedro II e vejam o que o Brasil ajudou a financiar, além do mais, nos Estados Unidos). O padre Roberto Landell de Moura construiu o primeiro transmissor sem fio para a transmissão de mensagens, em 1892. No dia 3 de junho de 1900, a Avenida Paulista presenciou uma cena que deveria ter entrado para a história. Ali, um padre metido a cientista reuniu a imprensa, políticos e personalidades para demonstrar publicamente os experimentos que já realizava havia mais de seis anos. Utilizando um aparelho inventado por ele mesmo, o pároco enviou sinais telegráficos e transmitiu a voz humana a uma distância considerável (8 km), sem o auxílio de fios e irradiada por uma onda eletromagnética, pela primeira vez na história. Enquanto isso, o homem que ficaria conhecido como o inventor do rádio, o italiano Guglielmo Marconi, só operava com a transmissão e recepção de sinais telegráficos – em distâncias bem menores. Entre 1903 e 1904, Landell de Moura conseguiu, nos Estados Unidos, as patentes de três inventos: o transmissor de ondas (hertzianas ou landellianas), o telefone sem fio e o telégrafo sem fio. A patente brasileira do aparelho do padre Landell recebeu o número 3279, e foi obtida em 1900. Embora o italiano Marconi tenha ficado com a fama e o Nobel de Física por ter realizado o feito, o cruzamento de documentos e correspondências do período revela que, antes dele, o sacerdote-inventor já tinha se antecipado a este invento. Os principais jornais na época divulgaram que ele não conseguiu nem patentear nem produzir comercialmente seus inventos no Brasil. Pelo contrário, foi considerado um bruxo diabólico por muitas pessoas incultas. Entre os aparelhos que desenvolveu ou projetou estão o “teletíton” (telégrafo sem fio), o “teleauxiofone” (telefonia com fio, microfone e alto-falante), o “transmissor de ondas”, o “edífono” (purificador de voz) e o “caleofone” (intercomunicador de voz). Para tentar corrigir esta injustiça histórica e alçar o brasileiro ao rol dos grandes inventores, um grupo de pesquisadores e radioamadores fundou o Movimento Landell de Moura (MLM), que buscou junto ao governo brasileiro o reconhecimento oficial de que o padre Landell seja considerado o pioneiro das telecomunicações. Tempos após a invenção, o rádio mudou a vida das pessoas. As casas passaram a ter um cômodo novo: na copa, as famílias ouviam notícias, músicas e novelas. Os primeiros apresentadores mais conhecidos de programas de auditório sonoros foram Ademar Casé e Ari Barroso, entre outros. Se atualmente um canal de tevê passa três ou quatro novelas diariamente, imaginem que no ano de 1945 a Rádio Nacional chegou a transmitir 14 novelas por dia. Quando os lares começaram a ter aparelhos de televisão, alguém disse: “Em dez anos, não existirá mais o rádio”. Errou feio! Só de 2000 a 2010 o número de emissoras FM dobrou. Atualmente é indiscutível a elevada importância do rádio no cotidiano do planeta. Disto tudo salta aos olhos a ligação forte da ciência com a religião, quando se tratam de verdadeiros espíritos avançados, livres, como o padre Landell e Gregor Mendel, monge Agostiniano, considerado o pai da genética Nos dias de hoje são notórios os frequentes ataques que os diversos tipos de religiões fazem à ciência, numa perfeita demonstração que houve um colapso cultural nos templos.

*É proibida a reprodução total ou parcial deste texto, por qualquer meio, sem prévia autorização
do autor  Prof. Paulo Cezar ou do site www.cruzdasalmasnews.com.br.

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