sexta-feira, 4 de março de 2016

Entenda a suspeita contra Lula


O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi conduzido pela Polícia Federal nesta sexta-feira (04/03) para prestar esclarecimentos sobre suspeitas investigadas pela Operação Lava Jato de que ele tenha recebido vantagens indevidas do esquema de desvios da Petrobras. Segundo a Polícia Federal, há indícios de que Lula pode ter sido recebido vantagens indevidas, que beneficiaram o PT e seus parentes. O ex-presidente nega as suspeitas. Essa é a 24ª fase da Operação Lava Jato, batizada de Aletheia, em referência à expressão grega busca da verdade.
Caminho do dinheiro, segundo o MPF
ORIGEM:
PETROBRAS
Empreiteiras investigadas teriam repassado R$ 30 milhões a empresas de Lula e pagado por despesas do ex-presidente e parentes.
DESTINO:
1) INSTITUTO LULA E LILS PALESTRAS
Empresas de Lula teriam recebido dinheiro das empreiteiras por doações e palestras
Quando: 2011 a 2014
Valores:
- R$ 20.740.000 para o Instituto Lula vieram das empresas Camargo Correa, OAS, Odebrecht, Andrade Gutierrez e Queiroz Galvão
- R$ 9.920.898,56 para a LILS Palestras vieram da Camargo Correa, OAS, Odebrecht, Andrade Gutierrez
O montante seria repassado ao PT e parentes do ex-presidente. A PF investiga se as palestras e serviços foram prestados. Segundo o juiz Sergio Moro, os "valores vultosos" geram "dúvidas sobre a generosidade das aludidas empresas e autoriza pelo menos o aprofundamento das investigações".
2) REFORMA DO SÍTIO E APARTAMENTO NO GUARUJÁ
OAS e a Odebrecht são suspeitas de pagar pela reforma do triplex e do sítio, entrega de móveis de luxo nos imóveis e armazenagem de bens de Lula por transportadora
2014 – Triplex no Guarujá
Valores:
- pelo menos R$ 1 milhão sem aparente justificativa econômica lícita da OAS, por meio de reformas e móveis de luxo implantados no apartamento tipo triplex, número 164-A, do Condomínio Solaris, em Guarujá (R$ 750 mil em reformas e R$ 320 mil em móveis de luxo para a cozinha e dormitórios)
Segundo o MPF, "embora o ex-presidente tenha alegado que o apartamento não é seu, por estar em nome da empreiteira, várias provas dizem o contrário, como depoimentos de zelador, porteira, síndico, dois engenheiros da OAS, bem como dirigentes e empregado da empresa contratada para a reforma, os quais apontam o envolvimento de seu núcleo familiar em visitas e tratativas sobre a reforma do apartamento".
2010 – Sítio em Atibaia
Valores:
- R$ 1.539.200 na compra do sítio por terceiros, sendo R$ 770 mil em reformas pagas por Bumlai, OAS e Odebrecht
Segundo o MPF, os donos do sítio Jonas Suassuna e Fernando Bittar “são sócios de Fábio Luís Lula da Silva (filho de Lula) como foram representados na compra por Roberto Teixeira, notoriamente vinculado ao ex-presidente Lula e responsável por minutar as escrituras e recolher as assinaturas”.
3) MUDANÇA DE LULA
Quando: 2011
Valores:
- R$ 1,3 milhão pela empresa OAS para a armazenagem de itens retirados do Palácio do Planalto quando do fim do mandato, em contrato assinado pela empreiteira
Segundo o MPF, o contrato foi dissimulado para esconder seu real objetivo e assinado pelo presidente do Instituto Lula, Paulo Okamoto.
4) FILHOS DE LULA
Segundo a decisão de Sergio Moro que autorizou a expedição dos mandados de condução coercitiva, há pagamentos do Instituto Lula e a LILS Palestras para empresas dos filhos de Lula.
Quando: 2011 a 2014
Valores:
- R$ 1.349.446,54 do instituto para a empresa G4 Entretenimento e Tecnologia Digital Ltda., cujo sócio administrador é Fábio Luis Lula da Silva, filho do expresidente, e Fernando Bittar e Kalil Bittar.
- R$ 114.000 do instituto para a empresa Flexbr Tecnologia Ltda., com mesmo endereço da G4, mas por sócios outros filhos do ex-presidente, como Marcos Claudio Lula da Silva, Sandro Luis Lula da Silva e a nora Marlene Araújo Lula da Silva.
- R$ 72.621,20 da LILS à Flexbr
- R$ 227.138,85 da LILS a Luis Claudio Lula da Silva.
Condução coercitiva
Segundo o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, "nesse momento, as investigações não são conclusivas ao ponto de pedir a prisão". Mas ele afirma haver "indícios fortes" de "vantagens indevidas" em nome do ex-presidente, por isso, Lula foi encaminhado a prestar esclarecimentos.
"Era necessário ouvi-lo. O MPF tem uma investigação, necessitava ouvir o ex-presidente. Não havia como não fazer a oitiva. Se tivéssemos ter marcado com antecedência, teríamos um risco maior de segurança", disse Lima.
Operação
O presidente do Instituto Lula, Paulo Okamoto, também foi alvo de mandado de condução coercitiva. A PF também cumpre mandados de busca e apreensão na casa do ex-presidente Lula, na casa e empresa dos filhos dele e no sítio que era constantemente frequentado por Lula, em Atibaia.
O que diz o PT
O presidente nacional do PT, Rui Falcão, divulgou vídeo no Facebook no qual classificou a operação da Polícia Federal na casa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de “política” e “espetáculo midiático”. Ele ainda pediu que a militância do partido saia em defesa de Lula.
Em nota, o Instituto Lula afirmou nesta sexta que a ação da Polícia Federal que realizou buscas na casa do ex-presidente e a condução coercitiva foi "arbitrária, ilegal e injustificável". (G1)

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