terça-feira, 8 de março de 2016

Das 417 cidades baianas, 152 têm mais mulheres que homens, inclusive Cruz das Almas

Na Federação Espírita do Estado da Bahia (Feeb), no Pelourinho, há dezenas de frequentadores mulheres (Foto: Arisson Marinho/CORREIO)
Com 53,3% de presença feminina, Salvador é, em números absolutos e também proporcionalmente em relação à população masculina, a cidade baiana com mais mulheres. Os outros nove municípios com os maiores percentuais são Santo Antônio de Jesus (52,78% de mulheres), Cruz das Almas (52,77%), Alagoinhas (52,65%), Itabuna (52,64%), Feira de Santana (52,57%), Muritiba (52,5%), Santo Estêvão (52,16%), Rio de Contas (52,08%) e Governador Mangabeira (52,08%).
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2010, mais de 1,4 milhão de mulheres circulavam por Salvador diariamente. Em média, havia 100 mulheres para cada 87 homens vivendo na capital baiana. Em 2014, essa proporção chegou a 53,4%, quando a população feminina alcançou 2,2 milhões de pessoas – contra 1,9 milhão de homens.
O curioso é que, pelo menos em Salvador, nascem mais homens do que mulheres. “Se a gente fizer um levantamento por faixa etária, percebe que nascem mais homens. Mas, quando chega na faixa dos 15 anos, existe essa inversão, principalmente por conta da violência, da maior exposição dos homens à violência”, explicou o supervisor de disseminação de informações do IBGE na Bahia, André Urpia.
Segundo as estatísticas de Registro Civil do IBGE, 1.687 homens – 1.420 deles solteiros – tiveram mortes violentas em Salvador ao longo de 2014. Apenas 206 mulheres tiveram mortes assim no mesmo ano – 150 delas casadas. Em toda a Bahia, foram 8.725 homens vítimas de mortes violentas, contra 1.148 mulheres.
Ainda em Salvador, as mulheres estão à frente de classes de ensino básico e médio, cuidando de pacientes em consultórios e enfermarias, vendendo artigos no comércio, prestando serviços. Também têm processos para serem julgados e crimes a serem solucionados. A maioria se declara parda, tem entre 25 e 29 anos de idade, mora na parte urbana da cidade e frequenta centros espíritas. 
Religião
Embora a maior parte dos moradores de Salvador se declare católica, entre as mulheres, a doutrina predominante é o espiritismo. A religião também conquistou a maior parte das mulheres de Cruz das Almas, Alagoinhas, Itabuna e Rio de Contas, que estão entre as dez cidades com o maior percentual de mulheres.
Para a diretora da sede histórica da Federação Espírita do Estado da Bahia (Feeb), Suzy Moreau, o número de adeptos vem aumentando pelo menos nos últimos dez anos. Ela confirma os dados do IBGE e diz que, sim, os encontros e reuniões doutrinárias estão cada vez mais preenchidos por mulheres. Na própria Feeb, há dezenas de frequentadoras.
“Nós temos uma pesquisa que foi feita num congresso nosso, na década de 1980, dizendo que as pessoas buscavam o espiritismo pela questão da dor, porque estavam sofrendo e não tinham uma resposta. Na década de 1990, foi feito outro levantamento e aí foi diferente. Havia um crescimento e as pessoas estavam buscando o espiritismo pela sede do conhecimento do que elas precisavam saber e que outras doutrinas não explicam”, disse Suzy.
Mercado de trabalhoPara a professora Cecilia McCallum, doutora em Antropologia Social pela University of London e professora do curso de Antropologia da Universidade Federal da Bahia (Ufba), a participação feminina vem crescendo em áreas como o Direito e o ensino superior. “Em algumas ocupações, as mulheres têm bastante proeminência. É impressionante a quantidade de mulheres que se tornam juízas, desembargadoras, por exemplo”, disse.
No Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), há 27 desembargadoras e quatro dos cinco cargos da mesa diretora do Tribunal são ocupados por mulheres – inclusive o de presidente, pela desembargadora Maria do Socorro Barreto Santiago. Na Polícia Civil, as mulheres também estão em maior número que os homens, pelo menos em Salvador: das 16 delegacias territoriais, 11 são comandadas por mulheres.
Elas também dominam as salas de aula, e no estado inteiro. Segundo a Secretaria Estadual da Educação (SEC), são 29.153 professoras, o que representa mais de 70% do total. Já o Conselho Regional de Enfermagem da Bahia (Coren-BA) computa que 90% dos inscritos são mulheres: 97.796 entre auxiliares de enfermagem, técnicas de enfermagem e enfermeiras, de um total de 108.552 registrados.
Para o estatístico Gilberto Marquezini, a tendência é que, nos próximos 10 ou 15 anos, a predominância feminina nas cidades seja ainda mais significativa. “O Brasil todo tem mais mulheres do que homens, mas a diferença é pequena. Se isso fosse política, eu diria que estamos na margem de segurança. Mas hoje há muito mais mulheres nas universidades e, daqui a 10 ou 15 anos, acredito que as mulheres atingirão os cargos principais, até porque elas têm uma qualidade maior nos estudos”. (Correio)

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