quarta-feira, 2 de setembro de 2015

As Crônicas de Paulo Cezar Lemos: A CIÊNCIA DESFAZ UM MITO SECULAR

A umbucajá é uma frutífera comum no semiárido e que é normalmente comercializada nas feiras livres do Recôncavo entre janeiro e março, sendo os frutos trazidos de municípios próximos, a exemplo de Castro Alves, Itatim, Santa Terezinha, Iaçu entre outros. Esta frutífera é distribuída por quase toda a Bahia. Na Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte, também existe uma frutífera denominada de umbucajá que, inclusive faz parte de uma composição musical interpretada por Alceu Valença, mas, que é outra entidade taxonômica. Nas primeiras descrições sobre a flora brasileira, desde o século XVIII, a umbucajá é tratada com este nome, sugerindo ser um híbrido entre o umbu e a cajá. Estas espécies pertencem à família Anacardiaceae, onde se encontram plantas de alto valor como madeireiras, a exemplo da baraúna e aroeira e espécies frutíferas como a mangueira, cajueiro, umbuzeiro, sirigueleira, cajaraneira, cajazeira, entre outras. Parti da hipótese de que a umbucajá não se tratava de um híbrido, mas, de uma espécie nova e ainda não descrita para a ciência. Fui orientado pelo Dr. Cassio Van den Berg da UEFS (Universidade Estadual de Feira de Santana) e auxiliado por um dos mais renomados citogeneticistas brasileiros, Dr. Marcelo Guerra da Universidade Federal de Pernambuco. Com base em técnicas científicas sofisticadas, baseadas em Morfometria Geométrica, utilização de espaçadores de DNA ribossomal, DNA plastidial, hibridização genômica “in situ” (GISH) e análise filogenética, foi possível constatar que a umbucajá da nossa região se tratava de uma nova espécie e que a frutífera de Pernambuco com o mesmo nome realmente é um híbrido. Mais recentemente, o pesquisador Marlon Machado (UEFS), também orientado por Dr. Cassio aprofundaram mais as técnicas e ratificaram que a umbucajá do semiárido baiano realmente é uma nova espécie e não um híbrido como se considerava há décadas. A descrição já publicada na Revista Neodiversity, junho de 2015, traz o nome desta frutífera como sendo Spondias bahiensis P. Carvalho, Van den Berg & M. Machado. ISSN 1809 – 5348 (print), ISSN-2358-2847 (on line). 

*É proibida a reprodução total ou parcial deste texto, por qualquer meio, sem prévia autorização
do autor  Prof. Paulo Cezar ou do site www.cruzdasalmasnews.com.br.

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