terça-feira, 4 de agosto de 2015

As Crônicas de Paulo Cezar Lemos: O PIOR ANALFABETO É O ANALFABETO POLÍTICO.

Bertolt Brecht, nascido na Alemanha em 1898, escreveu: “O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio depende das decisões políticas. O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais”. Este pensamento escrito há muitos anos continua muito atual, evidenciado aqui no Brasil pelo envolvimento de empreiteiros e executivos comandados por um grande grupo de políticos vigaristas. Aqui no Brasil é muito comum o cidadão agir de acordo com aquilo que os outros pensam, e não por aquilo que ele acha correto fazer. De uma forma geral o brasileiro tem necessidade de pertencer a um grupo. Ele não fala sobre si mesmo sem falar do grupo a que pertence. Este comportamento muito comum também na Espanha e Portugal, não acontece em outros países europeus e na vizinha Argentina, onde o que vale é o que cada um pensa, numa completa demonstração de liberdade intelectual. Este pensamento através de grupos conduz a um fanatismo ideológico, estado psicológico que caracteriza qualquer pessoa como idiota. O fanático é irracional, inflexível, persistente e teimoso. Sua natureza irregular, baseada em paixões, leva a paranoias e gera preconceitos e agressividade com quem discorda de seus valores e crenças. Evidências deste fanatismo ocorrem em pessoas que defendem partidos políticos e seus políticos, embora sem dominar o assunto, mas, convictos que estão plenamente corretos, assim como os conservadores seguidores de crenças religiosas que pagam dízimos e se acham no direito de julgar a todos. De forma mais beligerante e brutal se observa este fanatismo nas brigas por times de futebol, pois enquanto o torcedor fanático briga, os atletas recebem salários gordos e riem da cara dos otários. Um em cada seis municípios brasileiros é dominado por eleitores analfabetos ou semianalfabetos, segundo dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). No entanto é bom lembrar que analfabetismo não é sinônimo de ignorância. O analfabeto pode ter capacidade natural e jurídica, submetendo-se à responsabilidade civil criminal em diversos setores da vida, como o alfabetizado, encontrando-se apto também para escolher seus representantes. Votar é um ato de cidadania e quem não tem cidadania está marginalizado ou excluído da vida social e da tomada de decisões. Não se pode generalizar que o voto do analfabeto é desprovido de qualidade. A preocupação não é que boa parte dos nossos municípios tenham eleitores analfabetos, mas, o que deve mais preocupar é a alienação dos que teoricamente teriam maiores condições de pensar criticamente. A capacidade intelectual não garante que se forme um senso crítico, principalmente no Brasil, onde oito em cada dez brasileiros tem o assunto do seu dialogo resumido a poucos itens. Quando não está falando de futebol, está falando de sexo ou fofocando ou falando do quanto bebeu no final de semana. Qualquer tema que saia dessa esfera é rejeitado pela maioria, marginalizando o que pensou diferente. Não é de estranhar que a definição do Brasil seja “o país do futebol e do carnaval”, onde se cometem babaquices como conferir a Ronaldinho Gaucho a Medalha Machado de Assis, a máxima honraria da Academia Brasileira de Letras e a Revista Times considerar Pelé um dos mais importantes brasileiros, ficando para trás cientistas, pesquisadores, juízes, médicos, engenheiros, bombeiros, policiais, professores, entre outros, que dedicam a sua vida em prol de todos e tem reconhecimento zero pela sociedade. Muitos deles sequer recebem um salário justo. Por outro lado, quem não faz nada pela sociedade como atletas – principalmente jogadores de futebol –, artistas, músicos, mulheres com bumbuns avantajados, entre outros que exercem uma “profissão” que não presta qualquer serviço para o bem comum, somente beneficiando aos próprios, além de receber salários altíssimos, são ovacionados pelo público.

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