quarta-feira, 8 de julho de 2015

As Crônicas de Paulo Cezar Lemos: SUA MAJESTADE: A VAIDADE

A vaidade é humana. Talvez não haja qualquer pessoa que dela esteja isenta. Estamos acostumados a enxergar a vaidade nos exibicionistas, talvez até para esconder a própria ignorância como é o costume no meio político, onde se procuram exibir mansões, carros, compleição física, machismo e outras sandices. Nesta classe, a vaidade busca liderança mais pela oratória que pela comunicação. A oratória é útil para aqueles que pretendem seguir sozinhos, enquanto os verdadeiros líderes cultivam a arte da comunicação, fundamentados em saber ouvir, característica das mais nobres entre os seres humanos. Um verdadeiro líder valoriza as pessoas com as quais convive, reconhece méritos e divide fracassos e vitórias. A vaidade também é comum no meio intelectual, chegando a constituir uma doença nos meios científicos e universitários, abrangendo principalmente professores e pesquisadores, embora entre os alunos ela também seja arrebatadora. A vaidade tira dos nossos olhos os defeitos próprios, e faz com que visualizemos apenas os defeitos dos outros e bem mais perto e maiores do que são. Parte considerável dos seres humanos não se conforma com a ideia de que a decomposição dos corpos põe fim a tudo. De alguma forma buscam a ideia da imortalidade pós vida. Os nossos antepassados chegaram e já se foram, o mesmo acontecerá conosco dentro em breve, quando seremos antepassados para os que hão de vir. As idades se renovam e vivos e mortos sempre se sucedem. Nada fica, tudo se acaba. É loucura sacrificar a vida para eternizar o nome. Até mesmo com os heróis a crueldade do tempo apaga o nome e a glória, embora nestes permaneça mais tempo que nas pessoas comuns. A fama é o que mais nos inclina à vaidade. A sociedade depende deste delírio. A vaidade em pessoas leais torna os homens obedientes, assim como a vaidade de serem amados os torna benignos; ter uma boa reputação é uma vaidade que torna os homens virtuosos. Um homem sem vaidade passa a ter desprezo por tudo, começando por si mesmo. Passa a encarar as atitudes de forma diferente. Assim, o respeito é visto como atitude servil, criando poder em alguns e medo nos outros. A reputação e os valores são vistos como uma fantasia. De todas as paixões a que mais se esconde é a vaidade. Fica oculta de tal forma que pode ser ignorada, chegando a não ser detectada pelas pessoas, sendo confundida com a satisfação própria que a alma recebe como um espelho onde nos enxergamos mais superiores que os outros pelo que fazemos, de tal sorte que buscamos fazer sempre bem para alimentar ocultamente a vaidade. O desprezo é considerado por alguns autores como uma das maiores injúrias causados ao homem, justamente porque ele ofende a vaidade. Isto explica porque perder a honra é pior que perder a fortuna, visto que a honra é composta por vaidades, nossa parte mais sensível. A vaidade comanda em atitudes aparentemente inocentes como seguir religiões e frequentar templos. As pessoas sutilmente se sentem num patamar acima dos outros, assim como palestrantes que detém o conhecimento e se dirigem ao público, atletas nos estádios e cantores assistidos por milhares de pessoas. De forma idêntica, torcedores investidos nas camisas de seus clubes exalam vaidade numa forma de criaturas melhores que os oponentes e enviadas divinamente. No ato da transgressão a vaidade transborda: uso de drogas, fraudes em sala de aula, pratica de assaltos, estupros, e até um simples estacionamento em lugares proibidos ou queimar uma espada numa rua em Cruz das Almas, a vaidade está ocultamente no comando, assim como em atitudes simples como ajudar o próximo e toda gama de eventos ligados à piedade. Enfim, a vaidade está na própria simplicidade. Foi por vaidade que escrevi este texto.

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